Friday, June 15, 2012

Duas Faces do Cinema: Crítica – Prometheus (Arthur Gadelha)

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Duas Faces do Cinema: Crítica – Prometheus (Arthur Gadelha)
Jun 15th 2012, 23:10

QUAL O OBJETIVO?

É um filme complicado e instintivo. Segue uma linha de raciocínio confusa, se perde no caminho, volta, se perde... Um aspecto que pode decepcionar alguns telespectadores é o fato do filme tomar um propósito inicial e no final, finaliza outro, enquanto o inicial se perde no contexto.

Parece ser confuso, mas é literalmente isso que acontece em Prometheus. A ideia de "buscar a nossa origem" é o propósito inicial e o final é mesclar a história do Alien. Tudo isso entra em um turbilhão de acontecimentos, e, por um momento, até parece que tudo foi desculpa para que o Alien pudesse ser apresentado. Essas ideias podem ser tomadas na hora, mas depois, quando o lado filosófico do filme é levado em conta, percebe-se que parte disso não se torna um erro.

Riddley Scott exerce um papel exemplar de direção, mostrando que, de fato, ele consegue encher uma tela de cinema. Todos os aspectos de cenários foram muito bem elaborados e diagnosticados. O roteiro, por mais que o filme pareça se perder, é objetivo e focado no seu objetivo duvidoso. Balança ali no meio para dar ênfase a uma cena, mas o tal deslize passa de raspão e é facilmente ignorado.

Noomi Rapace

As atuações estão dignas de parabéns, como a da fabulosa Noomi Rapace, que, mesmo não exercendo uma personagem principal, consegue tirar suspiros dos telespectadores com suas cenas agoniantes. Michael Fassbender interpreta um robô avançadíssimo, e encaixou perfeitamente no papel. Ele seguia os limites entre ser humano e ser robô. Como foi dito, Elizabeth, a personagem de Rapace acaba por ser a principal, mas, sem querer, o filme confunde, exagera, e deixa algumas coisas dos personagens em aberto.

Michael Fassbender dando um show como um android

Deixar em aberto é o que o filme faz de melhor. A começar pela falta de uma explicação do porquê de uma expedição trilionária e extremamente complexa ser realizada com pouquíssimas pessoas. Além disso, as pessoas que compõe a expedição estão inteiramente desinformadas de tudo o que está acontecendo... Obviamente que isso foi de propósito, mas eu acredito que isso não tenha caído muito bem no contexto. E a falta de uma explicação convincente se alastra pelo filme em diversas cenas.

Apesar de tudo isso, o filme é recheado de cenas extremamente bem orquestradas, como a cena em que a personagem de Noomi realiza um parto. É, com certeza, surpreendentemente melhor e mais desesperador do que o parto da Bella Swan em Amanhecer: Parte 1.

Outro pesar no filme é aquela velha história cronológica: O grupo de pessoas que estão ali para explorar e vai morrendo um por um... Acontece exatamente isso em Santuário de James Cameron. Mesmo tendo essa semelhança convicta com esse modelo, o filme se torna pouco distinto devido as morte acontecerem em locais diferentes e ocorrem de maneiras criativas.

A trilha sonora não surpreende tanto assim, mas, obviamente leva seus méritos. Ela consegue levar a emoção, não tudo o que poderia dar, mas exerce seu papel de maneira comportada. Os efeitos gráficos são de última geração, o que evidencia ainda mais o quanto Ridley Scott conseguiu trabalhar muito bem com os avanços do cinema.

Prometheus passa extremamente longe de ser um filme ruim. É angustiante, um tanto inovador e em certos momentos chega a ser surpreendente. Erra, erra, erra, e não cansa de errar. Quer dizer, cansa, e é nesse momento em que o telespectador desfruta de umas das cenas mais bem elaboradas do ano.

NOTA: 8,5


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